Ex-deputado deve ser julgado por assassinato no Tribunal do Júri
Roberto Aciolli (PV) responde pela morte de um rapaz ocorrida em 1999.
Defesa alega que tiro foi acidental, e recorreu da decisão.
A Justiça do Paraná determinou que o ex-deputado estadual Roberto Aciolli (PV) seja julgado no Tribunal do Júri pela morte de Paulo César Heider. O crime ocorreu em 1999, após Aciolli suspeitar de que a vítima havia sido responsável por um furto de celulares da loja da esposa dele. A defesa do ex-deputado, que alega que Aciolli atirou acidentalmente na vítima, interpôs recurso para evitar o julgamento popular.
A denúncia contra Roberto Aciolli foi apresentada pelo Ministério Público em 2008, porém, o acusado possuía foro privilegiado em por ocupar função pública, de modo que o caso só poderia ser julgado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Como ele não reelegeu nas eleições de 2014, perdeu o direito ao foro e o processo foi encaminhado à 1ª Vara Privativa do Tribunal do Júri.
Conforme a defesa do acusado, Aciolli havia identificado um dos autores do furto à loja da esposa, e recebeu uma informação sobre a localização dele, no Centro de Curitiba. Chegando ao local, viu a vítima entrando em um táxi e passou a perseguir o veículo. Ao chegar ao bairro Água Verde, Aciolli conseguiu interceptar o táxi.
Na versão de Aciolli, que estava armado, a vítima tentou por duas vezes tirar a arma da mão dele, de forma que ele o orientou a colocar as mãos na caminhonete do acusado até que a polícia chegasse. No entanto, a vítima o atingiu com uma cotovelada, que acabou levando ao disparo acidental da arma na nuca da vítima.
“Ocorre que não há prova inconteste acerca da ausência de dolo no disparo. Ao revés, há indícios de que tenha agido dolosamente, considerando as circunstâncias do fato, ou seja, porque sabia que a vítima havia assaltado sua loja e buscou investigar sobre o ocorrido, tendo inclusive a perseguindo quando estava no táxi”, considerou a juíza Mychelle Pacheco Cintra.
A juíza ainda manteve a qualificadora apontada pelo MP de homicídio qualificado por motivo torpe. “Há indícios de que o réu teria agido por vingança, motivo evidentemente torpe, tal como narrado na denúncia”, observou a magistrada, que citou ainda elementos que apontam que o Aciolli há dias fazia buscas para encontrar o autor do furto à loja de celulares e recuperar os equipamentos.
O ex-deputado recorre do caso em liberdade.

