Visita de Lula a Curitiba provoca reações e reacende disputa política no Paraná
Presença do presidente e candidato à reeleição, ao lado de Gleisi Hoffmann, movimentou o cenário eleitoral e voltou a expor a divisão política na capital paranaense
A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por Curitiba, neste sábado (12), provocou forte movimentação política e reacendeu a disputa eleitoral no Paraná.
Lula participou de um ato na Boca Maldita ao lado de lideranças petistas, entre elas a candidata ao Senado Gleisi a escolha de Curitiba para o evento teve também um forte componente simbólico.
A cidade foi palco de um dos momentos mais marcantes da trajetória política recente de Lula, que permaneceu preso na capital paranaense por 580 dias. Durante o ato, a primeira-dama Janja também fez referência à relação que mantém com a cidade.
Presença cercada de resistência
Apesar da mobilização de apoiadores, a presença de Lula também foi recebida com resistência por setores da população e da oposição paranaense.
Curitiba mantém uma tradição de forte polarização política e, especialmente desde a Operação Lava Jato, tornou-se um dos principais redutos simbólicos do eleitorado contrário ao petismo.
A reação negativa à visita ganhou espaço no debate político justamente pela escolha da Boca Maldita, tradicional ponto de manifestações públicas da capital.
A passagem do “presidente” ocorreu em um momento em que a disputa eleitoral de 2026 está cada vez mais acirrada e Lula enfrenta um cenário nacional de elevada rejeição.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra que 42% dos entrevistados classificam o governo Lula como ruim ou péssimo, enquanto 32% o consideram bom ou ótimo.
A desaprovação pessoal do presidente chegou a 50%, contra 47% de aprovação.
Discurso mais voltado à disputa eleitoral
Em Curitiba, Lula aproveitou o palanque para fazer críticas à oposição e abordar assuntos nacionais que estão no centro da disputa eleitoral.
O presidente criticou a condução do caso Banco Master e afirmou ter conversado com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, sobre o que considera vazamentos seletivos na investigação.
Lula também fez críticas indiretas ao senador Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná pelo PL, ao afirmar que existe entre os candidatos paranaenses alguém que “não vale o que come”, sem citar o nome do ex-juiz.
O tom adotado pelo presidente acabou reforçando a avaliação de que a passagem por Curitiba teve forte caráter eleitoral.
Em vez de concentrar o discurso exclusivamente em propostas para o Paraná, Lula direcionou boa parte de sua fala para temas nacionais, adversários políticos e investigações em andamento.
Gleisi tenta fortalecer palanque no Paraná ao lado de Lula, Gleisi Hoffmann busca aproveitar a presença do presidente para fortalecer sua candidatura ao Senado e ampliar o espaço do PT no Paraná.
A participação da dirigente petista transforma a visita presidencial em um importante ato de campanha para o partido no Estado.
O evento também contou com Requião Filho, candidato ao governo do Paraná pelo PDT, e Dr. Rosinha, candidato ao Senado.
A estratégia é tentar transformar a popularidade nacional de Lula em votos para os candidatos aliados no Estado.
problema para o grupo petista é que o Paraná continua apresentando um ambiente eleitoral bastante competitivo e marcado pela força de candidatos de direita. Sergio Moro, por exemplo, aparece em posição de destaque na disputa pelo governo estadual, enquanto a corrida presidencial também apresenta cenário apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Uma visita que expõe a divisão de Curitiba mais do que uma agenda de campanha, a passagem de Lula pela capital paranaense evidenciou novamente a divisão política da cidade.
Para os apoiadores, o ato representa a retomada de Lula a um local importante de sua trajetória política.
Para seus críticos, a presença presidencial em Curitiba representa justamente o retorno de uma figura que ainda enfrenta forte rejeição em setores do eleitorado paranaense.
O episódio demonstra que Curitiba continua sendo um território politicamente sensível para Lula e para o PT.

