{"id":671,"date":"2026-01-23T20:08:39","date_gmt":"2026-01-23T23:08:39","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/?p=671"},"modified":"2026-01-23T20:08:39","modified_gmt":"2026-01-23T23:08:39","slug":"mais-de-60-anos-depois-ferry-boat-da-lugar-a-ponte-de-guaratuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/?p=671","title":{"rendered":"Mais de 60 anos depois, ferry boat d\u00e1 lugar \u00e0 Ponte de Guaratuba\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>Mais de 60 anos ap\u00f3s o in\u00edcio das travessias de ferry boat, que j\u00e1 transportaram cerca de 40 milh\u00f5es de ve\u00edculos, a inaugura\u00e7\u00e3o da Ponte de Guaratuba promete acabar com um gargalo hist\u00f3rico e consolidar o desenvolvimento do Litoral do Paran\u00e1. A nova infraestrutura complementa um conjunto de obras estaduais que t\u00eam impulsionado o crescimento da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro ferry boat a fazer a travessia na Ba\u00eda de Guaratuba \u00e9 de 1960, criado pelo governador Mois\u00e9s Lupion. A embarca\u00e7\u00e3o, de madeira, media 27 metros de comprimento por 10 metros de largura e contava com dois motores GM de 130 cavalos. \u201cTinha sanit\u00e1rio a bordo, beliche na casa de navega\u00e7\u00e3o para dormir e arm\u00e1rio com fogareiro para alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, conta Jo\u00e3o James de Oliveira Alves, mais conhecido como Seu Janj\u00e3o. \u201cO nome do barco era \u2018Engenheiro Ayrton Cornelsen\u2019. Transportava dez autom\u00f3veis e um caminh\u00e3o leve. N\u00e3o passava \u00f4nibus.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A riqueza de detalhes tem motivo. Janj\u00e3o foi o primeiro comandante do ferry boat, quando o servi\u00e7o foi reinaugurado dois anos depois pelo governador Ney Braga, ap\u00f3s obras na embarca\u00e7\u00e3o. \u201cDevido a flexibilidade do barco houve problema de estanqueidade [entrada de \u00e1gua]. A Capitania decretou a retirada da travessia, e o barco foi ao estaleiro para manuten\u00e7\u00e3o. Retificou o calafeto [veda\u00e7\u00e3o de frestas], colocou da linha d\u2019\u00e1gua para baixo chapa de cobre, revestindo todo ele. Resolveu\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Natural de S\u00e3o Francisco do Sul, munic\u00edpio catarinense, Janj\u00e3o chegou ao Litoral do Paran\u00e1 atrav\u00e9s do convite de um amigo, cujo irm\u00e3o procurava algu\u00e9m experiente com embarca\u00e7\u00f5es para comandar o servi\u00e7o de travessia. \u201cPerguntei para ele o que era ferry boat, no que ele me explicou que era um barco que atravessa os carros na Ba\u00eda de Guaratuba, de um lado para o outro. Na hora eu disse sim\u201d, recorda, sobre o dia que mudaria sua vida para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Janj\u00e3o esteve embarcado no ferry boat de Guaratuba de 1962 a 1978, ou como gosta de frisar, \u201c15 anos e quatro meses\u201d. Ele veio sozinho para a cidade, deixando a fam\u00edlia em Joinville at\u00e9 que as coisas se ajeitassem por aqui. Na regi\u00e3o de Caieiras, Janj\u00e3o foi pioneiro. Ajudou a construir escola, batalhou por um acesso exclusivo para a localidade, deu aulas para formar mestres em ferry boat, como tamb\u00e9m s\u00e3o chamados os comandantes. A fam\u00edlia veio na sequ\u00eancia, e ali atracaram para nunca mais sair.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os mais de 15 anos no comando da travessia, primeiro com o barco Ayrton Cornelsen e depois com as embarca\u00e7\u00f5es Iguassu e Tibagi, Janj\u00e3o viu de tudo um pouco no ferry boat de Guaratuba. Transportou autoridades, como o pr\u00f3prio governador Ney Braga e o ex-presidente paraguaio Alfredo Stroessner, que se exilou na cidade por dois meses ap\u00f3s ser deposto, em 1989. Levou de artistas a pessoas comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos epis\u00f3dios mais marcantes em sua trajet\u00f3ria, por\u00e9m, foi o afundamento de parte da cidade, onde hoje est\u00e1 localizada a Pra\u00e7a dos Namorados. Na noite de 22 de setembro de 1968, um homem bateu na porta de sua casa. Era o amarrador do ferry boat. \u201cComandante Janj\u00e3o, est\u00e3o chamando o senhor. Guaratuba est\u00e1 caindo. \u00c9 preciso prestar socorro. O ferry boat j\u00e1 est\u00e1 guarnecido, o condutor est\u00e1 a bordo virando motor. S\u00f3 precisa da sua presen\u00e7a para fazer a travessia. \u00c9 urgente\u201d, disse o homem \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPeguei a documenta\u00e7\u00e3o que tinha, a m\u00e1quina de tric\u00f4 da minha esposa, que era de valor, e avisei os vizinhos que estavam aqui, uma meia d\u00fazia. Chamei todos e anunciei que Guaratuba estava caindo. N\u00e3o tinha estrada e nem luz em Caieiras. Era pela trilha do morro, pelo mato, para chegar no ferry. Foram todos comigo, embarcados no Tibagi\u201d, relembra. Prefeitura, com\u00e9rcio, casas, tudo naquela regi\u00e3o desmoronou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIniciamos a travessia trazendo socorristas, m\u00e9dicos, policiais, tudo veio de Paranagu\u00e1 para prestar socorro aqui. Fizemos esse trabalho at\u00e9 as tr\u00eas horas da manh\u00e3, quando a mar\u00e9 iniciou a vazante. Nisso vieram arma\u00e7\u00f5es de casa, assoalhos, m\u00f3veis, tudo. N\u00e3o tinha mais condi\u00e7\u00e3o de atravessar\u201d, complementa. \u201cOs moradores embarcaram, muitos s\u00f3 com traje \u00edntimo, em caminh\u00f5es e \u00f4nibus, e foram para Garuva, com medo de que Guaratuba ca\u00edsse toda. Mas n\u00e3o caiu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/comandante_ferryboat-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-672\" srcset=\"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/comandante_ferryboat-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/comandante_ferryboat-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/comandante_ferryboat-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/comandante_ferryboat-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/comandante_ferryboat-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Guaratuba, 22 de janeiro de 2026 &#8211; Janj\u00e3o, primeiro conandante do Ferryboat.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-a-vida-tambem-passa-ali\">A vida tamb\u00e9m passa ali<\/h3>\n\n\n\n<p>Em 1975, a esposa de Janj\u00e3o, gr\u00e1vida da filha ca\u00e7ula, precisou usar o ferry boat para ir at\u00e9 o hospital. \u201cAqui n\u00e3o tinha maternidade, sendo preciso ir a Paranagu\u00e1. O m\u00e9dico examinou e disse que estava tudo bem, mas que a menina s\u00f3 nasceria no dia seguinte, depois da meia-noite. Ela ficou internada e eu voltei para Guaratuba. Na manh\u00e3 seguinte, fui ao DER ligar para a maternidade, porque n\u00e3o t\u00ednhamos telefone. \u2018Pode ficar tranquilo, nasceu a menina, est\u00e1 tudo bem\u2019, me falaram.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 60 anos ap\u00f3s o in\u00edcio das travessias de ferry boat, que j\u00e1 transportaram cerca de 40 milh\u00f5es de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":673,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,4],"tags":[],"class_list":["post-671","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-parana","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=671"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/671\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":674,"href":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/671\/revisions\/674"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/673"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalagoraparana.com.br\/site\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}